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Open Finance na Tesouraria: O Que Já É Possível Fazer e o Que Ainda Está por Vir

Guia prático sobre Open Finance na tesouraria corporativa: passos para aproveitar o que já funciona e se preparar para as próximas fases.

Open Finance na Tesouraria: O Que Já É Possível Fazer e o Que Ainda Está por Vir

Passo 1 — Entenda o que é Open Finance e por que a tesouraria corporativa deve se importar

Open Finance é a evolução do Open Banking no Brasil: um ecossistema regulado pelo Banco Central que permite o compartilhamento padronizado de dados e serviços financeiros entre instituições — com o consentimento do titular. Para a tesouraria corporativa, isso significa uma mudança estrutural na forma como se consome informação bancária, se inicia pagamentos e se negocia produtos.

Na prática, o Open Finance quebra a dependência de integrações proprietárias banco a banco. Em vez de manter dezenas de conexões customizadas via CNAB, Van bancária ou API particular, a tesouraria passa a acessar dados e funcionalidades por meio de padrões abertos e interoperáveis.

Passo 2 — Mapeie o que já funciona hoje (Fases 1 a 4 implementadas)

O cronograma do Banco Central dividiu o Open Finance em fases. As quatro primeiras já estão em operação e trazem funcionalidades concretas para a tesouraria:

Consulta consolidada de saldos e extratos

Já é possível, via APIs padronizadas, acessar saldos e movimentações de múltiplos bancos em um único painel. Isso elimina o trabalho manual de baixar extratos bancários de cada internet banking e consolidá-los em planilha. Exemplo: uma indústria com contas em 5 bancos diferentes pode visualizar a posição de caixa consolidada em tempo real, sem depender de arquivos de retorno.

Iniciação de pagamentos (Pix e TED)

A fase de iniciação de pagamentos permite que a tesouraria dispare transferências diretamente de plataformas integradas, sem acessar o internet banking de cada instituição. O Pix já opera nesse modelo; TEDs e boletos estão em expansão. Exemplo: aprovar um lote de pagamentos a fornecedores a partir de um único ambiente, escolhendo a conta-origem com melhor saldo disponível.

Compartilhamento de dados de produtos (crédito, câmbio, investimentos)

Bancos já compartilham informações sobre seus produtos — taxas de crédito, condições de câmbio e opções de investimento — de forma padronizada. A tesouraria pode comparar automaticamente, por exemplo, taxas de capital de giro de 4 bancos diferentes sem ligar para cada gerente. Isso é especialmente útil para empresas que mantêm um portfólio de investimentos diversificado e precisam alocar com agilidade.


Passo 3 — Identifique os ganhos imediatos para sua operação

Antes de olhar para o futuro, vale extrair valor do que já existe. Aqui estão três ganhos rápidos que qualquer tesouraria de médio ou grande porte pode buscar agora:

1. Redução de tempo na conciliação bancária: com extratos consumidos via API padronizada, a conciliação que levava horas no fechamento diário pode ser automatizada. Empresas que adotaram esse modelo relatam redução de 60% a 80% no tempo de conciliação.

2. Negociação informada de tarifas e taxas: ao comparar produtos de crédito e investimento de múltiplas instituições em tempo real, a tesouraria ganha poder de barganha. Em vez de aceitar a taxa oferecida pelo banco principal, você apresenta cotações concorrentes e negocia com dados concretos.

3. Visibilidade de caixa em tempo real: consolidar posições de todas as contas sem delay de arquivos batch melhora drasticamente a gestão de liquidez. A decisão de aplicar um excedente ou antecipar um resgate passa a ser tomada com informação atualizada, não com o saldo de ontem.


Passo 4 — Prepare-se para o que ainda está por vir

O Open Finance é um projeto em evolução contínua. Algumas funcionalidades que ainda não estão plenamente operacionais — mas cujo roadmap já é público — vão transformar a tesouraria nos próximos 12 a 24 meses:

Iniciação de pagamentos por boleto e débito automático

Hoje a iniciação funciona bem para Pix. A expansão para boletos registrados e débitos automáticos está em implementação. Quando estiver madura, a tesouraria poderá centralizar absolutamente todos os tipos de pagamento em uma única plataforma, sem acessar nenhum internet banking.

Portabilidade de crédito automatizada

O Open Finance prevê que a portabilidade de operações de crédito entre instituições seja facilitada por APIs. Para a tesouraria, isso significa refinanciar uma linha de capital de giro em minutos, migrando de um banco com taxa pior para outro com condições melhores — quase como trocar de fundo de investimento.

Seguros e previdência corporativa

Dados de seguros e previdência também entrarão no ecossistema. A tesouraria que gerencia apólices corporativas e planos de previdência poderá comparar e migrar produtos com muito mais agilidade.

Passo 5 — Avalie sua infraestrutura de conectividade bancária atual

Open Finance não elimina a necessidade de uma boa camada de conectividade bancária. Na verdade, ele adiciona mais um canal de integração. A pergunta que a tesouraria precisa responder é: minha plataforma atual consegue consumir APIs de Open Finance junto com os canais tradicionais (CNAB, Host-to-Host, Van)?

Muitos ERPs ainda não suportam o padrão Open Finance nativamente. Ferramentas especializadas de tesouraria, como a Datanomik, plataformas como Kyriba, ou soluções de middleware como a Transfeera, já estão se posicionando para absorver esses novos canais.

O critério de avaliação deve ser: a solução oferece uma camada de abstração que normalize dados independentemente da origem (Open Finance, CNAB ou API proprietária)?

Passo 6 — Monte seu plano de adoção com prioridades claras

A adoção do Open Finance na tesouraria não precisa ser tudo ou nada. Um plano pragmático segue esta ordem:

Curto prazo (0-3 meses): ative a consulta de saldos e extratos via Open Finance nos bancos que já suportam. Teste em paralelo com o processo atual.

Médio prazo (3-6 meses): migre a iniciação de pagamentos Pix para o canal de Open Finance. Avalie a redução de tarifas versus o canal tradicional.

Longo prazo (6-12 meses): integre a comparação automatizada de produtos de crédito e investimento. Construa dashboards que cruzem dados de Open Finance com sua previsão de caixa.


Checklist Resumo

Use esta lista para acompanhar sua jornada de adoção do Open Finance na tesouraria:

☐ Entender as fases do Open Finance e quais já estão operacionais


☐ Mapear quais bancos parceiros já oferecem APIs de Open Finance


☐ Ativar consulta consolidada de saldos e extratos via API padronizada


☐ Testar iniciação de pagamentos Pix pelo canal Open Finance


☐ Comparar taxas de crédito e investimento de múltiplas instituições automaticamente


☐ Avaliar se sua plataforma de tesouraria atual suporta Open Finance


☐ Definir roadmap de adoção com prazos de curto, médio e longo prazo


☐ Monitorar o cronograma do Banco Central para novas funcionalidades


Conclusão — Open Finance como vantagem competitiva na tesouraria

O Open Finance não é mais promessa: boa parte da infraestrutura já está operacional e gera valor concreto para tesourarias que sabem onde olhar. A questão não é se sua empresa vai adotar, mas quando — e quem chegar primeiro terá vantagem em custo, agilidade e visibilidade.

A Datanomik foi desenhada exatamente para esse cenário de múltiplos canais de integração bancária. A plataforma normaliza dados vindos de Open Finance, APIs proprietárias e arquivos tradicionais em uma camada única, oferecendo visibilidade consolidada de caixa, automação de pagamentos e comparação de produtos financeiros — tudo em tempo real e sem depender de um único banco.

Para tesourarias que querem extrair o máximo do Open Finance sem reconstruir sua infraestrutura do zero, é o caminho mais direto.

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